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NR-1

NR-1 em 2026: Como Preparar o PGR para a Fiscalização

Larissa Rizk

NR-1 em 2026: Como Preparar o PGR para a Fiscalização

Em pouco mais de 30 dias começa a fiscalização autuativa da NR-1 sobre riscos psicossociais. A partir de 26 de maio de 2026, o auditor-fiscal do Trabalho pode lavrar auto de infração contra empresas que não tiverem incluído fatores de risco psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), no mesmo nível de rigor dos riscos físicos e químicos. Nas 1.600+ empresas que já atendemos na Toque eXperience, ao longo de 3.500+ eventos e mais de 20 anos de trabalho no campo da prevenção de assédio e cultura organizacional, vejo um padrão se repetir. A empresa ouve falar da NR-1, aciona o Compliance, o RH escreve duas linhas no PGR, e todo mundo segue a vida achando que cumpriu a exigência.

A fiscalização não vai olhar essas duas linhas.

Este artigo é um roteiro prático pra quem ainda tem tempo de ajustar o PGR antes da vigência autuativa. Se você é de Compliance, RH, T&D ou Jurídico, aqui está o que sua empresa precisa demonstrar e onde a maioria vai falhar.

O que muda com a NR-1 a partir de 26 de maio de 2026

A NR-1 é a Norma Regulamentadora que estabelece as disposições gerais de segurança e saúde no trabalho. O PGR, previsto na norma, é o instrumento pelo qual toda empresa identifica, avalia, controla e monitora os riscos ocupacionais aos quais seus trabalhadores estão expostos.

Historicamente, o PGR tratava de riscos físicos (ruído, calor, vibração), químicos (substâncias tóxicas), biológicos (agentes infecciosos) e ergonômicos (postura, repetição, esforço). Os riscos psicossociais eram reconhecidos pela literatura técnica e pela OIT, mas ficavam em um limbo regulatório no Brasil.

A Portaria MTE nº 1.419/2024 fechou esse limbo, atualizando a NR-1 para incluir expressamente os fatores de risco psicossociais no GRO. A Portaria nº 765/2025 prorrogou o início da fiscalização autuativa, e o resultado é o seguinte cronograma: desde 26 de maio de 2025 a inclusão vigora em caráter educativo, e a partir de 26 de maio de 2026 o auditor-fiscal está autorizado a lavrar autos de infração. Riscos psicossociais como assédio moral, assédio sexual, sobrecarga, metas abusivas, jornadas excessivas, conflitos interpessoais não resolvidos e exposição a situações de violência precisam estar identificados, analisados e endereçados no PGR. Sem isso, a empresa está em descumprimento de norma regulamentadora. E descumprimento de NR gera autuação conforme prevê a NR-28.

Os cinco pontos que sua empresa precisa demonstrar à fiscalização

A NR-1 exige o ciclo completo de gestão de risco: identificar, avaliar, controlar e monitorar. O Manual de Orientação do GRO publicado pelo Ministério do Trabalho detalha como esse ciclo se aplica a riscos psicossociais. Na prática, em uma fiscalização, esses são os cinco pontos onde a maioria das empresas trava e vale a pena olhar com lupa antes que o auditor olhe.

1. Inventário de riscos específicos da empresa, não cópia de modelo

O inventário de riscos é o primeiro documento exigido pela norma. E é onde a maioria das empresas já entrega o flanco. Texto genérico copiado de modelo não atende. O PGR precisa identificar quais são os riscos psicossociais específicos da sua operação.

Em uma fábrica com três turnos, o risco de jornada noturna e isolamento pesa diferente. Em um call center com meta agressiva por hora, o risco de sobrecarga e pressão por performance é central. Em uma empresa de consultoria com cultura de entrega, o risco de extensão de jornada invisível e apagamento da vida pessoal é o ponto crítico. A análise precisa refletir o que existe ali, não o que existe em geral.

2. Análise de exposição por setor, não empresa inteira no mesmo pacote

A análise de risco precisa responder onde, exatamente, o risco se manifesta. Empresas grandes têm setores que operam em realidades muito diferentes. O risco psicossocial no financeiro não é o mesmo do comercial. O risco na operação não é o mesmo do corporativo.

O PGR precisa diferenciar esses níveis de exposição. Quando a análise é feita em bloco, com texto único pra empresa inteira, fica difícil sustentar que a avaliação foi feita de verdade.

3. Plano de ação com medida concreta, prazo, responsável e evidência

O Manual de Orientação do GRO é claro ao exigir plano de ação com cronograma e responsáveis claramente definidos. Cada item precisa ter quatro elementos: qual é a medida, qual o prazo, quem é o responsável, qual a evidência de implementação.

Plano que fala “realizar treinamento de liderança” sem data, sem nome e sem prova de que aconteceu não é plano. É intenção. E intenção não protege a empresa de autuação.

4. Monitoramento contínuo, não foto de um momento

A NR-1 exige monitoramento contínuo do risco e busca pela melhoria contínua, com participação dos trabalhadores. Isso quer dizer que pesquisa de clima uma vez por ano não basta. Indicadores precisam ser acompanhados ao longo do tempo: afastamentos por saúde mental, turnover, absenteísmo, volume e natureza de denúncias no canal, resultado de rodas de conversa com lideranças.

Empresa que só consegue mostrar um relatório isolado tem dificuldade de comprovar gestão de risco. Empresa que acompanha a variação ao longo dos meses, identifica sinal de alerta e ajusta a rota, cumpre a norma.

5. Evidência de que o treinamento mudou comportamento

Esse é o ponto mais delicado. Treinamento de compliance que gera só lista de presença não atende ao espírito da NR-1. A norma fala em gerenciamento de risco com avaliação da eficácia das medidas, e risco não é gerenciado por aula expositiva.

A empresa precisa estar pronta para apresentar evidência de que o treinamento gerou mudança mensurável. Isso pode vir em forma de avaliação pré e pós-treinamento, relato de líderes que mudaram comportamento, caso de intervenção bem-sucedida após a formação, redução de indicadores de risco em setores treinados. Sem isso, a empresa tem um custo grande documentado e pouco resultado a mostrar.

Onde a maioria das empresas vai falhar

Com base no que acompanho de perto, a maioria das empresas brasileiras de médio e grande porte vai falhar no mesmo ponto: entregar o PGR como tarefa de documentação, e não como sistema de gestão.

O Compliance monta o documento. O RH aprova. O SESMT dá o aval técnico. E nenhum dos três conversa com quem executa a rotina da empresa: os gestores diretos. Sem a liderança envolvida, o PGR vira peça morta.

A fiscalização percebe isso na primeira entrevista com um líder operacional. Pergunta simples: “quais são os riscos psicossociais mapeados pro seu setor, e o que está previsto no plano de ação?” Se o gestor não sabe responder, a empresa não cumpre a norma, por mais perfeito que seja o papel.

Por que líder preparado vale mais que PGR impecável

Risco psicossocial não mora no documento. Mora na mesa do gestor. Mora na forma como ele cobra resultado, dá feedback, resolve conflito entre colegas, decide quem vai pra reunião importante, reage quando um colaborador traz uma queixa.

Amy Edmondson, pesquisadora de Harvard, chama o ambiente em que as pessoas conseguem falar, errar, discordar e pedir ajuda sem medo de retaliação de segurança psicológica. Ambiente psicologicamente seguro é o contrário do ambiente que gera risco psicossocial. E ambiente se constrói na relação diária com o líder, não no PGR.

Nas empresas que atendemos, a diferença entre quem passa por uma autuação ileso e quem se complica não está no documento. Está na liderança.

Líder que sabe identificar quando uma situação está escalando pra assédio tem condição de intervir antes de virar caso. Líder que sabe dar feedback firme sem humilhar consegue cobrar resultado sem gerar adoecimento. Líder que entende que conflito silenciado hoje vira denúncia amanhã aprende a mediar em tempo real. Esse tipo de líder não se forma em slide. Se forma em experiência.

Como se preparar nas próximas semanas

Se a sua empresa ainda não olhou a NR-1 com calma, ainda dá tempo. Quatro movimentos que ajudam a chegar em maio com a casa mais organizada.

Revisar o PGR com foco em especificidade. Cada risco psicossocial mapeado precisa fazer sentido pra sua operação, não pra empresa em geral.

Envolver a liderança no diagnóstico. Reunir gestores de diferentes áreas e perguntar onde sentem tensão, sobrecarga, conflito. O PGR precisa refletir essa escuta.

Montar plano de ação com prazo curto. Prioridade pras próximas 12 semanas, não pros próximos 12 meses. Auditor olha pra ver se tem coisa acontecendo agora.

Investir em formação de líderes. Não treinamento genérico de compliance. Formação focada na coragem de liderar em ambiente de risco psicossocial, com ferramenta prática pra usar no dia seguinte.

Se você quer levar essa conversa pra dentro da empresa antes da fiscalização bater, a Toque eXperience pode ajudar. Atuamos há mais de 20 anos com o método de teatro corporativo que transforma treinamento de compliance em experiência real de mudança. Conheça também a página dedicada à NR-1 e a palestra A Coragem de Liderar, feita pra preparar gestores a agir antes da denúncia chegar.

Para aprofundar o tema, leia o guia completo sobre NR-1 e riscos psicossociais e como segurança psicológica conecta liderança e prevenção de assédio.

Cumprir a NR-1 de verdade não é tarefa de papel. É tarefa de cultura. E cultura exige CORAGEM. É isso que fazemos há mais de 30 anos: levar essa transformação do palco para a vida.

Perguntas Frequentes

Quando a fiscalização da NR-1 sobre riscos psicossociais começa?

A inclusão dos fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) já vigora desde 26 de maio de 2025, em caráter educativo. A fiscalização autuativa pelo Ministério do Trabalho começa em 26 de maio de 2026, conforme a Portaria MTE nº 1.419/2024 e a prorrogação dada pela Portaria nº 765/2025. A partir dessa data, a autuação pode ocorrer em fiscalização de rotina ou em inspeção motivada por denúncia de trabalhador.

O que o PGR precisa demonstrar sobre riscos psicossociais?

A NR-1 exige o ciclo completo: identificar, avaliar, controlar e monitorar os riscos psicossociais. Na prática, a empresa precisa apresentar inventário de riscos específicos, análise de exposição por setor, plano de ação com prazos e responsáveis, monitoramento contínuo e evidência de que as ações geraram mudança mensurável. Documento genérico sem evidência de aplicação real não satisfaz a exigência.

Qual o valor da multa por não incluir riscos psicossociais no PGR?

As multas por descumprimento de NR seguem a NR-28 (Fiscalização e Penalidades), atualizada pela Portaria MTE nº 104/2026. O cálculo cruza o porte da empresa (número de funcionários) com a gradação da infração (de 1 a 4) e pode ser agravado por reincidência, embaraço à fiscalização ou múltiplas infrações simultâneas. Além da multa, a empresa fica exposta a ações trabalhistas individuais, interdição e dano reputacional.

Treinamento sobre assédio basta para cumprir a NR-1?

Não. Treinamento é apenas uma das ações esperadas. A NR-1 exige inventário de riscos, análise, plano de ação com medidas concretas e monitoramento contínuo. O treinamento precisa demonstrar mudança de comportamento, não apenas lista de presença. Formação da liderança é a parte mais cobrada e a mais negligenciada.

Por que a preparação da liderança é o ponto mais crítico?

Riscos psicossociais se manifestam na relação diária entre líder e equipe. Sobrecarga, metas abusivas, assédio, exposição pública e retaliação passam pela mão do gestor direto. PGR bem documentado não previne nada se os líderes da empresa não sabem identificar, intervir e resolver situações de risco no dia a dia.

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Perguntas frequentes

Quando a fiscalização da NR-1 sobre riscos psicossociais começa?
A inclusão dos fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) já vigora desde 26 de maio de 2025, em caráter educativo. A fiscalização autuativa pelo Ministério do Trabalho começa em 26 de maio de 2026, conforme a Portaria MTE nº 1.419/2024 e a prorrogação dada pela Portaria nº 765/2025. A partir dessa data, a autuação pode ocorrer em fiscalização de rotina ou em inspeção motivada por denúncia de trabalhador.
O que o PGR precisa demonstrar sobre riscos psicossociais?
A NR-1 exige o ciclo completo: identificar, avaliar, controlar e monitorar os riscos psicossociais. Na prática, a empresa precisa apresentar inventário de riscos específicos, análise de exposição por setor, plano de ação com prazos e responsáveis, monitoramento contínuo e evidência de que as ações geraram mudança mensurável. Documento genérico sem evidência de aplicação real não satisfaz a exigência.
Qual o valor da multa por não incluir riscos psicossociais no PGR?
As multas por descumprimento de NR seguem a NR-28 (Fiscalização e Penalidades), atualizada pela Portaria MTE nº 104/2026. O cálculo cruza o porte da empresa (número de funcionários) com a gradação da infração (de 1 a 4) e pode ser agravado por reincidência, embaraço à fiscalização ou múltiplas infrações simultâneas. Além da multa, a empresa fica exposta a ações trabalhistas individuais, interdição e dano reputacional.
Treinamento sobre assédio basta para cumprir a NR-1?
Não. Treinamento é apenas uma das ações esperadas. A NR-1 exige inventário de riscos, análise, plano de ação com medidas concretas e monitoramento contínuo. O treinamento precisa demonstrar mudança de comportamento, não apenas lista de presença. Formação da liderança é a parte mais cobrada e a mais negligenciada.
Por que a preparação da liderança é o ponto mais crítico?
Riscos psicossociais se manifestam na relação diária entre líder e equipe. Sobrecarga, metas abusivas, assédio, exposição pública e retaliação passam pela mão do gestor direto. PGR bem documentado não previne nada se os líderes da empresa não sabem identificar, intervir e resolver situações de risco no dia a dia.
Larissa Rizk - Palestrante e CEO da Toque eXperience

Larissa Rizk

Psicóloga organizacional, atriz e CEO da Toque eXperience

Há mais de 20 anos na Toque eXperience, transforma temas sensíveis como assédio, ética e compliance em experiências teatrais que tocam e ensinam. A Toque eXperience já impactou mais de 1 milhão de pessoas em 1.600 empresas por todo o Brasil.

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